quarta-feira, 16 de abril de 2014

Cruz fiel




Cruz fiel, sois a árvore
mais nobre em meio às demais,
que selva alguma produz
com flor e frutos iguais.
Ó lenho e cravos tão doces,
um doce peso levais.

Só tu, ó Cruz, mereceste
suster o peso do mundo
e preparar para o náufrago
um porto, em mar tão profundo.
Quis o Cordeiro imolado
banhar-te em sangue fecundo.


Excerto do Crux Fidelis - Hino do Tríduo Pascal

domingo, 13 de abril de 2014

O divino silêncio

Num antigo mosteiro do norte da Europa vivia um piedoso frade chamado Rodolfo, grande devoto da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Com frequência, ele se refugiava aos pés de um grande crucifixo que era muito venerado na capela, não só pelos religiosos, mas também pelo povo da região.
Ali, gostava Frei Rodolfo de meditar especialmente sobre estas palavras do Divino Redentor: “Meu Deus, meu Deus, por que Me abandonastes?”. Queria ele, de alguma forma, consolar o Senhor naquela situação de agonia e abandono. E um dia, movido por este nobre e generoso desejo, decidiu fazer-Lhe uma ousada súplica. Ajoelhando-se aos pés da santa imagem, rezou nestes termos:
— Senhor, vejo o quanto Vós sofrestes por todos nós. Eis-me aqui, vosso pobre filho, venho solicitar-Vos algo especial: concedei-me a graça de ficar crucificado em vosso lugar, padecendo por Vós.
Tocado por uma graça de profunda piedade, o bom frade não tirava os olhos da cruz, como esperando uma resposta. Por isso, não se surpreendeu ao ver a imagem tomar vida e dizer-lhe:
— Meu filho, vejo com agrado teu desejo de consolar-Me na cruz. Mas, sabes bem o que Me pedes?
— Sim, Senhor, não quero outra coisa!
— Pois bem, Eu assumirei teu ofício de monge e tu ficarás aqui crucificado em meu lugar. Mas com uma condição: aconteça o que acontecer, vejas o que vires diante de ti, sempre deverás guardar silêncio. Aceitas?
— Sim, Senhor, aceito — respondeu Frei Rodolfo.
Jesus assumiu então as feições de Frei Rodolfo e ocupou seu lugar na comunidade, exercendo de modo perfeito suas funções. E o frade sofria na cruz, mas consolava-se em saber que estava aliviando os padecimentos do Divino Mestre em Sua Paixão.
Passaram-se assim os dias, e Frei Rodolfo, imóvel, observava as pessoas que vinham rezar na capela; mas, fiel à sua promessa, não dizia uma palavra sequer. Certa tarde, viu entrar o joalheiro da cidade vizinha, com uma pequena bolsa cheia de pedras preciosas. Ajoelhando-se aos pés do crucifixo, ele pediu ao Senhor para ajudá-lo a fazer bom uso daquelas pedras que acabara de comprar, por bom preço, de um mercador. Mas ao sair, sem ele perceber, a bolsinha desprendeu-se do cinto, ficando sobre o banco.
Pouco depois, entrou um homem de aparência desonesta e atitudes suspeitas. Olhava para todos os lados, como quem procura algo ou... quer saber se está ou não sendo observado. Deteve-se durante alguns instantes, com ares de cobiça, diante dos castiçais de prata do altar. Frei Rodolfo teve um impulso de gritar-lhe que não tocasse neles... mas se conteve a tempo. Prosseguindo seu caminho, o estranho personagem aproximou-se do banco onde estivera o joalheiro e percebeu lá a pequena bolsa. Abriu-a logo, viu o tesouro nela contido, sorriu de satisfação, olhou novamente para todos os lados e saiu a toda pressa.
Frei Rodolfo sentiu-se aliviado por ter conseguido manter sua promessa, mas ao mesmo tempo indignado com esse roubo em lugar sagrado. Alguns instantes depois, entrou uma jovem camponesa, com uma maleta na mão. Vinha pedir proteção para a viagem de trem que ia fazer. Ajoelhou-se no local exato onde estivera pouco antes o joalheiro.
Logo em seguida, este voltou, em busca de sua bolsa perdida. Não a viu no banco, nem no chão. Supondo que ninguém mais tivesse entrado na capela... desconfiou da pobre moça e começou a acusá-la de roubo, ameaçando chamar a polícia.
Para Frei Rodolfo, era demais essa injustiça! Ele não conseguiu manter-se calado. E então, reboou no recinto sagrado uma voz forte e clara:
— Não faça isso! Ela é inocente!
Assustados ao ouvir essa voz que, sem dúvida alguma, vinha do crucifixo, o comerciante e a jovem camponesa saíram correndo...
À noite, uma luz sobrenatural invadiu a capela. Era Jesus Cristo que entrava. Com tristeza, comunicou a Frei Rodolfo que deveria descer da cruz, pois não cumprira o prometido e, portanto, não poderia mais ocupar Seu lugar.
— Senhor, eu peço perdão... Mas como poderia ficar calado diante de tamanha injustiça?
Jesus lhe respondeu:
— Oh! Veja como a realidade é bem mais complexa do que pensam os homens... O ladrão, que até então a polícia não tinha conseguido agarrar, foi afinal preso ao tentar vender... falsas pedras preciosas. Isso evitou um grande prejuízo para o joalheiro, pois assim ele conseguiu anular o mau negócio feito com o mercador e receber seu dinheiro de volta. Quanto à jovem camponesa — coitada! — houve um acidente na viagem, e ela ficou gravemente ferida; melhor teria sido que a injusta acusação a fizesse perder o trem... Tu não sabias de nada disso, mas Eu sim. Por isso, ter-Me-ia mantido calado.
Mansamente, o Senhor voltou para a cruz e retomou Seu divino silêncio. E Frei Rodolfo, agora mais sábio e humilde, reassumiu seu posto na comunidade.
* * *

Não é raro ficarmos aflitos, quando Nosso Senhor Jesus Cristo não atende imediatamente aos nossos pedidos. Muitas vezes, Deus permanece num silêncio incompreensível para nós, mas Ele conhece o que mais nos convém. Saibamos respeitar Suas paternais demoras. Mesmo quando Deus parece calar-Se, Ele nos atende da forma mais proveitosa para nossa alma! 
Caroline Fugiyama Nunes - Revista Arautos do Evangelho n.88 abril 2009

quarta-feira, 9 de abril de 2014

O preço de um resgate

Um pai de família, posto no terrível dilema de escolher entre salvar a vida de seu próprio filho, ou deixá-lo morrer afogado e salvar a de um estranho, tomou uma decisão heroica. Qual foi o resultado?
Era domingo, terminara a Missa. O zeloso sacerdote, muito estimado pelos seus paroquianos, convidou para vir à frente um ancião de aspecto venerável. Depois de apresentá-lo como o mais querido amigo de sua já remota mocidade, manifestou o desejo de que ele saudasse os presentes e lhes dirigisse algumas palavras que julgasse proveitosas para uma piedosa reflexão.
Os fiéis fitavam com curiosidade o idoso senhor, que se mostrava pensativo, simples e despretensioso. Este, após os costumeiros cumprimentos iniciais, disse-lhes:
“Eu quero contar-lhes um fato ocorrido há vários anos, a fim de tirarmos uma lição. Tenho certeza de que todos gostarão de ouvir esta narração.
“Um pai de família, seu filho adolescente e um amigo deste navegavam num barco pelo mar quando foram surpreendidos por violenta tempestade. Marinheiro experimentado, o pai tratou de regressar logo à praia. Mas era tarde... As ondas eram tão violentas que em pouco tempo ele perdeu o controle da embarcação.
“Depois de quatro horas de intensa luta para se manter à tona, uma gigantesca onda varreu o frágil barco, arrastando para o mar os dois jovens. Já era noite.
“Sem tardança, o pai pegou a única bóia de resgate que havia e teve de tomar a mais difícil decisão de sua vida: a qual dos dois jovens deveria ele lançar a bóia? Não tinha mais que alguns instantes para decidir. Sabia ele que seu filho era católico praticante, sério cumpridor dos Mandamentos; mas que seu amigo, infelizmente, não o era.
“Maior que o ímpeto das ondas no mar era a angústia da decisão a tomar, no coração desse pai. Ele via os dois jovens a poucos metros um do outro e sabia bem que só conseguiria salvar um. Qual dos dois?!
“Foi, porém, curta sua hesitação. Com voz lancinante, bradou: ‘Ouça-me, meu filho, você conhece o imenso amor que lhe tenho. Ponha-se nas mãos de Deus e recomende-se a Maria Santíssima!’ E atirou a bóia para o outro, salvando-o. Quanto ao filho, em poucos instantes desapareceu de sua vista, arrastado pelas ondas. Não se encontrou sequer seu cadáver.”
* * *
Considerando com serenidade a ansiosa expectativa de seus ouvintes, o ancião tirou a seguinte conclusão do comovente drama narrado:
“O pai sabia que seu filho, morrendo, iria para a eterna Bem-Aventurança com Nosso Senhor. Mas temia pelo destino do seu amigo, pois este trilhava na vida o mau caminho. Foi por isso que decidiu abandonar seu filho ao sabor das ondas, para salvar a vida do outro.
“Quão grande é o amor de Deus, que fez exatamente o mesmo por nós! Ele sacrificou seu Filho único para nossa salvação.
“Então, eu lhes suplico que façam sempre esta reflexão, sobre a oferta de resgate que Nosso Salvador oferece por todos os homens, todos os dias, no Sacramento da Eucaristia. Agarrem-se a essa divina bóia!”
* * *
Os assistentes retiraram-se aos poucos, em profundo silêncio.
Na saída, um jovem que havia observado com especial atenção o velho homem ao longo de sua emocionante narrativa, aproximou-se dele e lhe perguntou:
— Foi uma bonita história que o senhor nos contou, e ela nos ajuda a compreender melhor o amor que Deus provou ter aos homens, entregando seu Divino Filho pela salvação de cada um de nós. Mas será que esse pai viu bem a realidade naquele trágico instante em que decidiu deixar morrer afogado seu filho, com a esperança de que o outro se convertesse? E o outro se converteu?
Expressando em sua fisionomia dor e, ao mesmo tempo, alegria, o homem respondeu com doçura:
— Compreendo o que você diz, meu caro jovem. Pode ser que ele não tivesse visto bem a realidade no angustiante momento de tomar aquela terrível decisão. É bem possível. Mas tenho algo mais a lhe dizer: é que esse pai sou eu, e o amigo de meu filho é o seu Pároco...

Revista Arautos do Evangelho n.26. fev 2004

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Formação da juventude

Entre as necessidades espirituais de nossos dias, ocupa importante lugar a educação. Assim, trabalhando na formação cultural e moral da juventude se contribui de maneira eminente para o bem da sociedade. Educar, afinal, é sem dúvida a mais nobre das artes, pois visa dar forma e beleza às almas.

É nesse sentido que o centro juvenil dos Arautos do Evangelho em Joinville oferece às jovens do Projeto Futuro e Vida diversas atividades: curso de artes, peças teatrais, defesa pessoal, música e catequese. 




















segunda-feira, 31 de março de 2014

Projeto Futuro e Vida - Joinville

No intuito de contribuir para a formação cultural dos jovens em áreas como a música e o teatro, os Arautos do Evangelho têm levado o Projeto Futuro e Vida a inúmeros colégios do País. Dentre as instituições percorridas no mês de março, destacamos, em Joinville, a Escola Municipal Senador Carlos Gomes.

As apresentações musicais foram acompanhadas com muito interesse pelos alunos.

sexta-feira, 28 de março de 2014

O “Nobre Ofício”

Segundo certa mentalidade em vigor hoje, felicidade se identificaria com riqueza e prazer. Mas tempo houve em que o homem não pensava assim. E era feliz... 
O tema deste artigo é um “nobre ofício”. Qual será ele?
Seguramente — pensará algum leitor — o exercício de alguma elevada função na Corte Britânica. Ou, quem sabe, um cargo de grande responsabilidade no Vaticano, ou em alguma prestigiosa universidade, como a Sorbonne ou Coimbra?
Nada disto!
De que se trata, então?
Caro leitor, permita-me ajudá-lo. É algo que vem do passado, de um passado cristão. O “Nobre Ofício” era o título dado aos... sapateiros ingleses na Idade Média!
Efetivamente, os trabalhadores manuais da corporação dos sapateiros ufanavam-se, não somente da qualidade de seus produtos, mas também do próprio ofício que exerciam. A ponto de eles mesmos o designarem de o “Nobre Ofício”.
Não era fácil, porém, ser admitido na confraria. Para ser aceito como participante do “Nobre Ofício”, não bastava ser bom profissional. Era preciso também saber “cantar, tocar corneta de chifre, tocar flauta, manejar a lança, combater com espada, descrever em versos seus instrumentos de trabalho”.
A corporação de sapateiros ingleses, como inúmeras outras existentes na Europa medieval, era inteiramente independente do poder estatal, inclusive do Rei. Tinham essas corporações suas leis próprias, seus costumes, seus juízes — os “mestres juramentados” — que impunham sanções àqueles que se comportavam mal ou que, por suas trapaças, desprestigiavam a profissão.
Sobretudo, tinham seus capelães, seus santos padroeiros, suas igrejas, suas festas e procissões. Uma de suas principais preocupações era que todos os irmãos da confraria fossem bons cristãos.
Até hoje, por exemplo, pode-se ver na maravilhosa Catedral de Chartres (França) os vitrais de extraordinária beleza oferecidos pelos padeiros, pelos pescadores, pelos vinhateiros, ao lado dos que foram doados pela Rainha Branca de Castela, mãe do Rei São Luís.
O costume, impregnado de caridade cristã, fazia com que os confrades do “Nobre Ofício” se ajudassem mutuamente, em qualquer lugar onde se encontrassem. Podiam uns ser do norte, outros do sul, mas estavam todos unidos por um vínculo religioso que os levava a auxiliarem-se nas circunstâncias adversas.
Patrões, trabalhadores, aprendizes, cada qual conservando sua posição, se ajudavam, se protegiam e se estimulavam a progredir na vida cristã e... na qualidade dos sapatos que produziam.
Por exemplo, os “mestres juramentados” — em geral, os sapateiros mais idosos — repreendiam severamente o patrão que não cuidava da virtude de seus aprendizes, ou que prejudicava os fregueses pela má qualidade dos sapatos produzidos. Ao mesmo tempo, prestavam auxílio aos irmãos em situação de crise nos negócios, às viúvas e aos órfãos dos sapateiros falecidos.
Todos os ofícios da sociedade medieval estavam organizados da mesma forma. Constituíam verdadeiras irmandades dentro da sociedade civil, nas quais circulava a seiva do Evangelho.
Ufanavam-se de suas obras de caridade. Por exemplo, os ourives de Paris conseguiram licença para, um de cada vez, abrirem a loja nos domingos e dias festivos. O lucro obtido nesses dias destinava-se a oferecer uma refeição aos pobres no domingo de Páscoa. “Quem abre sua loja nesses dias, deposita na caixa da confraria tudo quanto ganhou (...) e, com esse dinheiro, se paga uma refeição para os pobres do Hospital de Paris, no dia de Páscoa de cada ano”.
Tudo isto era feito numa atmosfera de concórdia e alegria difícil de se entender em nossos dias.
Nas festas da cidade, as corporações desfraldavam suas bandeiras durante os desfiles solenes, disputando a preeminência. Constituíam elas pequenos mundos extraordinariamente dinâmicos, ativos e, sobretudo, cristãos, que davam à cidade seu impulso e sua fisionomia característica.
Eis um pitoresco fato ilustrativo de como se passavam as coisas quando o espírito da Santa Igreja Católica impregnava a sociedade civil.
O sapateiro Tom Drum encontrou-se em viagem com um jovem nobre arruinado e o convidou a ir com ele a Londres.
— Eu pago as despesas, e em Londres nos divertiremos muito.
— Pagas como?! Pensei que toda a tua fortuna não passasse de alguns centavos... — objetou o fidalgo.
Respondeu Tom Drum:
Explicar-te-ei. Se fosses sapateiro como eu, poderias viajar de um extremo a outro da Inglaterra com apenas um centavo no bolso. Em cada cidade encontrarias alojamento, comida e bebida, e nem sequer precisarias gastar teu único centavo. Os sapateiros não gostam de ver que falta algo a qualquer de seus colegas. Nosso regulamento estabelece o seguinte: se chega a uma cidade um companheiro sem pão nem dinheiro, basta-lhe apresentar-se. Não precisará preocupar-se, pois os sapateiros da cidade o receberão bem e lhe darão hospedagem e comida grátis. E se quiser trabalhar, a corporação tratará de arranjar-lhe emprego, ele não terá preocupações” 1.
1) As Cidades e as Instituições urbanas na Idade Média, apud Régine Pernoud, A Luz da Idade Média, pp. 71-72.

Pe. Juan Carlos Casté . Revista Arautos do Evangelho n. 23. Nov 2003

quarta-feira, 26 de março de 2014

MARIA NOS TROUXE A SALVAÇÃO EM NAZARÉ


Com suas ruas estreitas e calmas, aquela pequena cidade nos convida a esquecer um pouco o barulho e o corre-corre de nossos dias. As casas dão diretamente para a rua, deixando entrever seu interior através das janelas abertas. Ao passar diante de algumas delas, podemos até ouvir pontas de conversas entre seus moradores, o ruído de panelas na cozinha, o aroma delicioso da refeição quase a ser servida.
Nesta acolhedora e pacata localidade deparamos com uma modesta habitação. Seus ocupantes se desposaram há pouco: Maria e José, da Casa do rei David. Sim, estamos em Nazaré, dois mil anos atrás. Quem passe pela rua e veja essa casinha de tijolos aparentes, tão simples, tão pobre, não é capaz de imaginar que ali vai se passar o maior acontecimento da história da humanidade: a Encarnação de Jesus Cristo.
Maria, jovem de celestial formosura, de uma pureza angelical e uma delicadeza de coração incomparável, reza em seu quarto, ao entardecer. Pensa em como deve ser o Messias prometido pelos profetas: seu rosto, suas mãos, seu olhar. Pensa naquela mulher, privilegiada aos olhos de Deus, que deve ser a mãe do Salvador. Em sua profunda humildade, deseja ser escrava dessa excelsa criatura, digna de ser a Mãe de Deus. Pede ao Senhor que antecipe sua vinda para a Salvação da humanidade.
Estando Maria absorta nestas considerações, aparece-Lhe um Anjo resplandecente de luz. É São Gabriel, que lhe diz:
“Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres.
E ela, tendo ouvido estas coisas turbou-se com as suas palavras, e discorria pensativa que saudação seria esta.” (Lc. 1, 26-29)
A prudência pede-lhe reflexão. Medita profundamente. Sem fixar os olhos, observa seu celeste mensageiro, num misto de temor e respeito, pois, segundo a tradição judaica, a visão de um anjo é anúncio de morte.
“E o anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus; eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de JESUS. Este será grande, será chamado filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu Pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó; e o seu reino não terá fim.” (Lc. 1, 30-33)
Carlota Crippa – Revista Arautos do Evangelho n.3. mar 2002