sexta-feira, 12 de setembro de 2014

O milagre do poço

A Paróquia de Nossa Senhora das Vitórias era simples, mas cheia de vida. O padre Maurício sempre promovia diferentes atividades e incentivava a comemoração das festas dos santos do calendário litúrgico, contando com o apoio maciço dos fiéis, que além de participar com piedade dos atos religiosos, engalanavam o templo com flores silvestres e fitas coloridas. Na catequese, as crianças se preparavam para a Primeira Comunhão ou para a Confirmação, em grupos animados e dinâmicos. A frequência aos Sacramentos era intensa e a aldeia era uma das mais tranquilas da região, pois seus habitantes tinham como lema o mandamento deixado por Nosso Senhor Jesus Cristo: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15, 12).
Não obstante, um forte desejo alimentava o coração do bom pároco e dos habitantes do lugar: construir uma grande e bela igreja em honra da Padroeira, já que o edifício existente era muito pequeno e estava se deteriorando pelo tempo. Não havia, porém, meios econômicos para levantá-la...
Ali era uma região um tanto agreste e, no verão, a seca castigava o povo. Era preciso subir até o alto de um monte próximo para conseguir um pouco de água no único poço que abastecia as famílias nessa época. Era um poço antigo, mas nunca havia secado. No verão daquele ano, entretanto, até ele parecia estar escasseando seu abastecimento. Houve vezes em que não subiu uma gota d’água sequer no velho balde de carvalho... Era grave o perigo que corriam, pois, se o poço secasse iam ficar à míngua.
Num sábado pela manhã, as crianças chegaram agitadas na catequese, comentando a falta d’água em suas casas e os problemas que isso estava acarretando. Paulinho, que sempre fora líder entre todos, tomou a palavra e disse:
― Eu tenho uma proposta a fazer para resolvermos o problema da água de nossa aldeia.
Os olhinhos curiosos das crianças se dirigiram para o menino. Até mesmo o padre Maurício queria saber a sugestão:
― Pois então diga, Paulinho, qual é sua ideia?
― Por que não fazemos uma promessa à Virgem das Vitórias, nossa Padroeira? Pedimos a Ela para não deixar secar o poço e prometemos iniciar a construção da Igreja em sua honra, no alto do monte.
As crianças aplaudiram a ideia do companheiro e o sacerdote sorriu comprazido pela fé daquela alma inocente. Contudo, pensava ele, como conseguiriam os meios para isso?
E o menino continuou:
― Fazemos a promessa e, seguros do socorro de Nossa Senhora, começamos uma ampla campanha na aldeia e por toda a região, em benefício da construção. Estou certo de que Ela nos atenderá e em breve teremos nossa bela igreja paroquial. Que acham?
Adriana, de apenas sete anos, aplaudia saltitante, dizendo:
― Isso mesmo! Nunca se ouviu dizer que alguém tenha pedido algo a Nossa Senhora e não tenha sido atendido... Ela nos dará a vitória!
O piedoso pároco se emocionou, pensando: “De fato, Deus escondeu grandes coisas aos sábios e as revelou aos pequeninos”... Levantando-se, disse animado:
― Pois, então, mãos à obra! Vamos convocar todos os paroquianos para nossa ousada empresa.
Aquela gente humilde e cheia de fé iniciou a campanha para cumprir a promessa. Percorriam as ruas, os campos e as fazendas vizinhas pedindo meios, em dinheiro ou em material de construção. Logo apareceu um engenheiro da capital que se interessou pelo projeto e fez os planos do templo. Conseguiu ele doações nos seus meios e os caminhões começaram a chegar. Tratores subiam o monte do poço, preparavam-se os fundamentos e, com o decorrer dos meses, as paredes iam sendo levantadas.
Passou aquele verão, veio o outono, o inverno, e nunca secou a água do velho poço! Chegou a primavera e com ela as abençoadas chuvas abasteceram os reservatórios das casas e dos campos. A construção da igreja ia de vento em popa e estava previsto seu término para o próximo verão. Padre Maurício preparou o programa de inauguração da nova igreja, incluindo uma grande procissão de traslado da imagem de Nossa Senhora das Vitórias até o novo altar-mor, todo feito em mármore de cores lindíssimas.
O verão deste ano, todavia, castigava ainda mais que o anterior. E a água do poço secou completamente! Não havia meio de retirar dele uma gotinha sequer... Iria Nossa Senhora abandonar quem se havia posto sob sua proteção? O padre estava preocupado, porque dali a dois dias seria a procissão e o povo iria chegar sedento à igreja, depois de percorrer um logo caminho sob o Sol causticante para subir o morro. Confiante no auxílio da Mãe de Deus, não cancelou a cerimônia e fez tudo como se nada estivesse acontecendo.
Chegado o esperado dia, a procissão se fez solene e animada. Um imponente andor ornado com as flores silvestres da região transportava a imagem. Os fiéis cantavam e caminhavam com entusiasmo. Só de avistarem a altaneira torre da nova igreja seus corações se enchiam de alegria. Quando chegaram ao templo, cansados e afogueados, nem se importaram com o calor que sentiam e entraram com a Virgem, triunfalmente.
Terminada a cerimônia, porém, a sede apertou... Paulinho, então, tomou a iniciativa de dizer:
― Não se preocupem! Conseguimos cumprir nossa promessa! Façamos uma fila perto do poço. Ninguém sairá dali com sede!
Todos se entreolharam, pois sabiam que o poço não tinha mais nem uma só gota d’água! No entanto, o menino falara com tanta convicção que a fila se formou e... Oh, milagre! A água abundava cada vez que desciam o balde! Verdadeiramente Nossa Senhora lhes havia dado a vitória! E nunca mais tiveram problema com a seca.

Fernanda Cordeiro da Fonseca -Revista ArautosdoEvangelho Out. 2012

domingo, 7 de setembro de 2014

O Puro Encanto dos Anjos

Os Anjos, que desde o princípio de sua criação conheciam o futuro mistério da Virgem, que A esperavam e de longe A saudavam como sua Rainha (...), que entusiasmo não sentiram ao verem brilhar esta Estrela da Manhã, e ao pensar que seriam os mensageiros de suas graças e missionários de sua clemência? Ah! Se os Anjos entoaram seus louvores sobre o pobre estábulo de Belém, não haveriam de se rejubilar quando viram surgir a aurora da libertação, através da nuvem celeste que logo faria chover o Justo?

Pe. Thiébaud

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Dia dos Pais - Arautos 2014

O Dia dos Pais foi mais uma vez festejado pelos Arautos num ambiente de grande alegria, reunindo pais e filhos num animado convívio, que teve lugar na casa do setor feminino da instituição em Joinville. A comemoração foi iniciada com a Santa Missa, celebrada pelo Pe Mário Sérgio Sperche, EP, seguida por um saboroso churrasco, preparado pelos pais, durante o qual as jovens fizeram um sorteio, apresentaram uma pequena peça teatral, e cantaram algumas músicas para homenagearem os pais. 

sábado, 30 de agosto de 2014

Incentivando a piedade

Quem poderia imaginar que a palavra de um homem, que não tem, naturalmente, a força de levantar da terra uma palha, receberia da graça o poder surpreendente de fazer descer do Céu o Filho de Deus?
A voz do sacerdote, sendo instrumento de Cristo no ato da consagração, O reproduz de um modo novo e admirável, quer dizer, sacramentalmente e isto tantas vezes quantas consagra.
O bem-aventurado João, o Bom, de Mântua, levou um eremita seu companheiro a compreender esta verdade. Este não conseguia persuadir de que a palavra de um padre tivesse o poder de mudar a substância do pão, no Corpo de Jesus cristo, e a do vinho em seu Sangue; e, o que é mais deplorável, tinha cedido a essa tentação diabólica. O servo de Deus percebeu o erro do companheiro, e, conduzindo-o a beira de uma fonte, aí encheu de água uma taça e deu-lhe de beber.
Depois de sorver toda a água, o outro confessou que jamais, em toda a sua vida, provara um vinho tão delicioso. Então João, o Bom, disse-lhe: “Não vedes o milagre, meu querido irmão? Se, por meio de um miserável como eu, a água se mudou em vinho pela onipotência divina, quanto mais deveis crer, por meio das palavras do sacerdote, que são palavras de Deus, o pão e o vinho mudam-se no Corpo e Sangue de Jesus Cristo? Quem ousaria jamais pôr limites à onipotência de Deus?
Bastou isso para dissipar o engano do eremita, que, expulsando de seu espírito toda a dúvida, fez grande penitência por seu pecado. (LEONARDO DE PORTO-MAURÍCIO. AS EXCELÊNCIAS DA SANTA MISSA)

No intuito de incentivar a piedade, foi apresentada uma peça teatral sobre a importância da Santa Missa. As jovens do Projeto Futuro e Vida assistiram-na com muita atenção.

sábado, 23 de agosto de 2014

Só para Te ver...

Na pequena cidade de São José de Monte Verde, vivia um homem muito rico chamado Joaquim. Fazendeiro, possuía muitas terras, centenas de bois e uma bela casa na cidade. Mas tinha um grave defeito: era bastante mesquinho e não gostava de nada que se referisse à religião.
Na casa de Joaquim vivia uma criança muito piedosa e engraçadinha, chamada Zita. Era filha de Sara, a fiel governanta, cuja mãe, por sua vez, já tinha servido à família na fazenda. A menina, muito esperta e diligente, sabia de cor todo o serviço que deveria fazer para ajudar à mãe.
Sara era muito religiosa e ensinara Zita a rezar desde pequenina. Nas horas de folga, levava-a à matriz de Nossa Senhora do Perdão e ali passavam horas rezando, venerando as imagens e admirando as pinturas das paredes e do teto da bela igrejinha colonial.
Mas o que gostavam mesmo era de estar com o Santíssimo Sacramento quando estava exposto. Sara ensinara à filha que naquela delicada Hóstia estava Jesus inteirinho, com Seu corpo, sangue alma e divindade. À menina custava-lhe imaginar como fazia Ele para entrar num ostensório tão pequeno... E sua mãe lhe explicava que era um grandíssimo milagre, porque Jesus subiu ao Céu, mas não quis deixar a humanidade abandonada, permanecendo entre os homens no Santíssimo Sacramento.
Zita foi crescendo e logo pediu para receber a Primeira Comunhão, porque não só desejava visitar Jesus, mas queria que Ele também frequentasse seu pequeno coração. Todos os domingos ia à Missa com sua mãe e recebia a Jesus em sua alma. E durante a semana, sempre que podia, dava uma “escapadinha” só para visitar o Senhor, exposto na matriz. O tempo passava e a menina crescia na devoção ao Santíssimo Sacramento a cada dia.
Porém, o senhor Joaquim, profundamente antipatizado com a devoção da menina, começou a impedir que ela fosse à igreja. Muitas vezes mandava que ela fosse à venda comprar alguma coisa, mas marcava os minutos, para não dar-lhe tempo de parar para rezar. Zita, então, só tinha tempo de entrar na matriz e fazer uma rápida genuflexão, dizendo:
— Senhor, vim aqui só para Te ver um pouquinho!
E voltava correndo! O patrão a esperava com o relógio na mão.
Nem aos domingos podia mais sair, pois o malvado decidiu mudar o dia de folga de sua mãe. A menina sofria com saudades de seu Jesus Sacramentado. Mas sempre que podia, corria à igreja e fazia a breve genuflexão, repetindo:
— Senhor, vim aqui só para Te ver... um pouquinho! Muitas e muitas vezes se repetiu essa encantadora cena.
Chegou o mês de junho. Toda a paróquia se engalanou para celebrar a festa de Corpus Christi. As ruas foram decoradas com tapetes de flores e serragem colorida. Bandeiras e velas adornavam todo o trajeto por onde passaria a procissão. O belo pálio foi preparado para proteger o Senhor Sacramentado que percorreria a cidade, nas mãos do senhor vigário.
Zita ardia de desejo de participar, mas o senhor Joaquim lhe negara rotundamente! Ela suplicava no fundo de seu inocente coração que ao menos pudesse ver o Senhor de relance. Terminada a Missa, saiu a procissão, entre os toques dos sinos e os hinos em louvor a Jesus Hóstia. A banda tocava eximiamente. Haviam ensaiado novas melodias especialmente para esta festa.
A menina escutava os acordes e rezava em segredo. De repente, percebeu que a música se aproximava mais e mais. A procissão ia passar em frente da casa! Tomada de fervor, perdeu todo o medo do seu patrão e abriu a janela da sala principal, justo no momento em que o pálio passava.
Repentinamente, o vigário sentiu que seus pés se colaram no chão e não podiam mover-se. A menina, da janela, tinha os olhos fitos em seu saudoso Jesus. O ostensório começou a girar nas mãos do sacerdote, sem que este fizesse algum movimento, ficando de frente para Zita. E de dentro da Sagrada Hóstia se fez ouvir uma celestial voz que dizia:
— Zita, parei aqui só para te ver um pouquinho!
O senhor Joaquim, que havia escutado o ruído, acabava de entrar na sala, disposto a zangar-se com a menina e a fechar a janela bruscamente. Presenciando tal prodígio, lembrou-se de quando ainda rezava, ia à Missa e também da sua Primeira Comunhão. Sentiu em sua alma as alegrias daquele dia e as lágrimas começaram a correr de sua face, pois nunca mais fora visitar o Senhor, nem para vê-Lo só um pouquinho...
Terminada a milagrosa cena, o ostensório tomou sua posição anterior, os pés do vigário se soltaram do solo e a procissão continuou normalmente. Os presentes mal podiam acreditar no que acabavam de ver...
Ao notar que seu patrão estava de joelhos e chorando, a menina tomou-o pela mão e saiu com ele para acompanhar a procissão. Zita cantava os hinos eucarísticos com gosto. E qual não foi sua surpresa, quando começou a escutar uma voz forte e viril acompanhando as estrofes. Isso sim, que era um verdadeiro milagre!
Chegando à igreja, depois de toda a cerimônia, o senhor Joaquim pediu ao vigário para confessar-se e assim se reconciliou com Aquele que por tanto tempo abandonara. Aos pés de Nossa Senhora do Perdão, rezou devotamente, pedindo à Mãe de Deus que o protegesse a o ajudasse a mudar de vida.
Agora, sempre que tem um tempinho, passa ele pela matriz e reza. Mas antes de tudo, diz ao Senhor:
— Senhor, vim aqui só para Te ver! Ajuda-me a nunca mais Te abandonar!


domingo, 17 de agosto de 2014

Teria morrido Maria Santíssima?

É sabido que no Céu, em corpo e alma, encontram-se Jesus, “primogênito dentre os mortos” (Ap 1, 5), Maria, que como criatura puramente humana está muito mais próxima de nós, e, segundo uma sólida linha teológica, também José.1 Ignoramos se Maria morreu ou não, pois a Santa Igreja até hoje se absteve de defini-lo. Quando Pio XII definiu o dogma da Assunção de Nossa Senhora, eludiu essa questão ao incluir a seguinte fórmula na Constituição Apostólica Munificentissimus Deus: “A Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminando o curso da  vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”.2 Não determina, portanto, se Ela passou pelo transe da morte, para ressuscitar em seguida ou se, livre desta, subiu ao Céu em corpo e alma, como sucederia com a humanidade no Paraíso Terrestre, caso nossos primeiros pais não tivessem desobedecido. Essa transição devia-se a um privilégio pelo qual, segundo São Tomás, a alma “possuía uma força dada sobrenaturalmente por Deus, graças à qual podia preservar o corpo de toda a corrupção, enquanto permanecesse ela mesma submetida a Deus”.3 No entanto, em decorrência da queda de Adão e Eva todos estamos sujeitos à morte e até o próprio Cristo quis padecê-la.
Em face disso, surgem duas correntes na mariologia: uma sustenta que Nossa Senhora não podia deixar de experimentar as dores da morte, uma vez que era chamada a seguir seu Divino Filho em tudo. Outros afirmam que Nosso Senhor A teria livrado da morte, como A livrou também da mancha do pecado. Dado que a Igreja não se pronunciou a respeito disso, pode-se optar por uma ou outra tendência. Particularmente, o Autor é favorável à tese de que deveria existir ao menos uma criatura que realizasse o plano original do Paraíso. Caberia impor a separação da alma e do corpo Aquela que, ao acompanhar Nosso Senhor no Calvário, já havia sofrido muito mais do que os tormentos da própria morte? De qualquer forma, Cristo levou consigo ao Céu a Arca que deu origem à sua humanidade santíssima, como reza o Salmo: “Subi, Senhor, para o lugar de vosso pouso, subi com vossa Arca poderosa!” (Sl 131, 8).
Este dia que a Igreja nos convida a ter presente a figura de Maria assunta ao céu, nos enche de esperança, pois também nós, embora concebidos no pecado, fomos criados com vistas à ressurreição e chamados a gozar um dia da glória do Céu, dessa sublime realidade que hoje contemplamos com os olhos da fé.
1) Cf. SAO FRANCISCO DE SALES. Entretien XIX. Sur les vertus de Saint Joseph. In: OEuvres Complètes. Opuscules de spiritualité. Entretiens spirituels. 2.ed. Paris: Louis Vivès, 1862, t.III, p546; LLAMERA, OP, Bonifacio. Teología de San José. Madrid: BAC, 1953, p.629-630
2) PIO XII. Munificentissimus Deus, n.44.
3) SAO TOMAS DE AQUINO. Suma Teológica. I, q.97, a.1.
Texto extraído do livro O inédito sobre os Evangelhos V.7 de Mons João Clá Dias.


terça-feira, 12 de agosto de 2014

Visita à cidade mais antiga de Santa Catarina

Colonizada por portugueses, São Francisco do Sul é a cidade mais antiga de Santa Catarina e a terceira cidade mais antiga do Brasil. E, também, foi nessa cidade que começou o processo de colonização do sul.
Em um passeio a essa cidade, as jovens do Projeto futuro e Vida conheceram um pouco mais da história do nosso país, visitaram vários monumentos históricos e apreciaram o mar e a beleza natural da região.

Um dos locais visitados foi a Igreja Matriz Nossa Senhora da Graça, de 1699, construída por escravos e pelo povo do lugar, com argamassa e óleo de baleia. No interior da igreja, as jovens rezaram em frente a imagem da padroeira, trazida pelos espanhóis, que ergueram uma capela em sua homenagem e em agradecimento após terem sido salvos de um temporal.