sábado, 18 de outubro de 2014

Medalha Milagrosa

Segundo a narração de Santa Catarina, no seu encontro com Nossa Senhora, ela ouviu uma voz que lhe mandava cunhar uma medalha conforme o modelo apresentado (era o desenho da Medalha Milagrosa). E a promessa: “Todos os que a usarem, trazendo-a ao pescoço, receberão grandes graças, que serão abundantes para quem a portar com confiança”.

Na certeza de que Nossa Senhora sempre se acha disposta a nos socorrer e amparar com sua clemência, seja em nossas carências materiais e físicas, os Arautos do Evangelho têm divulgado essa devoção através da distribuição e da imposição das medalhas milagrosas.


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Doutora da Igreja

Em Santa Teresa de Jesus vemos qualidades suavemente justapostas, com algo de harmonicamente dissonante entre a ação e a contemplação, altivez e misericórdia, determinação e bondade, que denotam e constituem uma imensa personalidade. Realmente, ela foi uma das maiores figuras femininas de toda a História. Tão extraordinária que mereceu ser proclamada Doutora da Igreja.

Seu olhar e seu semblante parecem dizer: “Eu só tenho Aquele a Quem admiro, e não temo absolutamente ninguém ou nada que me possa acontecer, porque Ele é tudo e vence tudo.” É a própria expressão da decisão, perseverança e reflexão.


Plinio Correa de Oliveira – Revista Dr Plinio out 2013

domingo, 12 de outubro de 2014

O divino silêncio

Num antigo mosteiro do norte da Europa vivia um piedoso frade chamado Rodolfo, grande devoto da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Com frequência, ele se refugiava aos pés de um grande crucifixo que era muito venerado na capela, não só pelos religiosos, mas também pelo povo da região.
Ali, gostava Frei Rodolfo de meditar especialmente sobre estas palavras do Divino Redentor: “Meu Deus, meu Deus, por que Me abandonastes?”. Queria ele, de alguma forma, consolar o Senhor naquela situação de agonia e abandono. E um dia, movido por este nobre e generoso desejo, decidiu fazer-Lhe uma ousada súplica. Ajoelhando-se aos pés da santa imagem, rezou nestes termos:
— Senhor, vejo o quanto Vós sofrestes por todos nós. Eis-me aqui, vosso pobre filho, venho solicitar-Vos algo especial: concedei-me a graça de ficar crucificado em vosso lugar, padecendo por Vós.
Tocado por uma graça de profunda piedade, o bom frade não tirava os olhos da cruz, como esperando uma resposta. Por isso, não se surpreendeu ao ver a imagem tomar vida e dizer-lhe:
— Meu filho, vejo com agrado teu desejo de consolar-Me na cruz. Mas, sabes bem o que Me pedes?
— Sim, Senhor, não quero outra coisa!
— Pois bem, Eu assumirei teu ofício de monge e tu ficarás aqui crucificado em meu lugar. Mas com uma condição: aconteça o que acontecer, vejas o que vires diante de ti, sempre deverás guardar silêncio. Aceitas?
— Sim, Senhor, aceito — respondeu Frei Rodolfo.
Jesus assumiu então as feições de Frei Rodolfo e ocupou seu lugar na comunidade, exercendo de modo perfeito suas funções. E o frade sofria na cruz, mas consolava-se em saber que estava aliviando os padecimentos do Divino Mestre em Sua Paixão.
Passaram-se assim os dias, e Frei Rodolfo, imóvel, observava as pessoas que vinham rezar na capela; mas, fiel à sua promessa, não dizia uma palavra sequer. Certa tarde, viu entrar o joalheiro da cidade vizinha, com uma pequena bolsa cheia de pedras preciosas. Ajoelhando-se aos pés do crucifixo, ele pediu ao Senhor para ajudá-lo a fazer bom uso daquelas pedras que acabara de comprar, por bom preço, de um mercador. Mas ao sair, sem ele perceber, a bolsinha desprendeu-se do cinto, ficando sobre o banco.
Pouco depois, entrou um homem de aparência desonesta e atitudes suspeitas. Olhava para todos os lados, como quem procura algo ou... quer saber se está ou não sendo observado. Deteve-se durante alguns instantes, com ares de cobiça, diante dos castiçais de prata do altar. Frei Rodolfo teve um impulso de gritar-lhe que não tocasse neles... mas se conteve a tempo. Prosseguindo seu caminho, o estranho personagem aproximou-se do banco onde estivera o joalheiro e percebeu lá a pequena bolsa. Abriu-a logo, viu o tesouro nela contido, sorriu de satisfação, olhou novamente para todos os lados e saiu a toda pressa.
Frei Rodolfo sentiu-se aliviado por ter conseguido manter sua promessa, mas ao mesmo tempo indignado com esse roubo em lugar sagrado. Alguns instantes depois, entrou uma jovem camponesa, com uma maleta na mão. Vinha pedir proteção para a viagem de trem que ia fazer. Ajoelhou-se no local exato onde estivera pouco antes o joalheiro.
Logo em seguida, este voltou, em busca de sua bolsa perdida. Não a viu no banco, nem no chão. Supondo que ninguém mais tivesse entrado na capela... desconfiou da pobre moça e começou a acusá-la de roubo, ameaçando chamar a polícia.
Para Frei Rodolfo, era demais essa injustiça! Ele não conseguiu manterse calado. E então, reboou no recinto sagrado uma voz forte e clara:
— Não faça isso! Ela é inocente!
Assustados ao ouvir essa voz que, sem dúvida alguma, vinha do crucifixo, o comerciante e a jovem camponesa saíram correndo...
À noite, uma luz sobrenatural invadiu a capela. Era Jesus Cristo que entrava. Com tristeza, comunicou a Frei Rodolfo que deveria descer da cruz, pois não cumprira o prometido e, portanto, não poderia mais ocupar Seu lugar.
— Senhor, eu peço perdão... Mas como poderia ficar calado diante de tamanha injustiça?
Jesus lhe respondeu:
— Oh! Veja como a realidade é bem mais complexa do que pensam os homens... O ladrão, que até então a polícia não tinha conseguido agarrar, foi afinal preso ao tentar vender... falsas pedras preciosas. Isso evitou um grande prejuízo para o joalheiro, pois assim ele conseguiu anular o mau negócio feito com o mercador e receber seu dinheiro de volta. Quanto à jovem camponesa — coitada! — houve um acidente na viagem, e ela ficou gravemente ferida; melhor teria sido que a injusta acusação a fizesse perder o trem... Tu não sabias de nada disso, mas Eu sim. Por isso, ter-Me-ia mantido calado.
Mansamente, o Senhor voltou para a cruz e retomou Seu divino silêncio. E Frei Rodolfo, agora mais sábio e humilde, reassumiu seu posto na comunidade.
                                                * * *

Não é raro ficarmos aflitos, quando Nosso Senhor Jesus Cristo não atende imediatamente aos nossos pedidos. Muitas vezes, Deus permanece num silêncio incompreensível para nós, mas Ele conhece o que mais nos convém. Saibamos respeitar Suas paternais demoras. Mesmo quando Deus parece calar-Se, Ele nos atende da forma mais proveitosa para nossa alma! 

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Sou a Senhora do Rosário

Por ocasião da comemoração da festa de Nossa Senhora do Rosário, apresentaremos uma pequena reflexão sobre importância da recitação do Rosário.
Fátima, 1917: “Sou a Senhora do Rosário”
No século XX, quando a Primeira Guerra Mundial estava em seu auge, Nossa Senhora veio, Ela mesma, em pessoa, lembrar aos homens que a solução para seus males estava ao alcance das mãos, nas contas do Rosário: “Rezai o Terço todos os dias para alcançar a paz e o fim da guerra”, repetiu Ela maternalmente aos três pastorzinhos, em Fátima.
Na última aparição, em outubro de 1917, a Virgem Maria disse quem era: “Sou a Senhora do Rosário”. E para atestar a autenticidade das aparições e a importância do Rosário, operou um milagre de grandeza nunca vista, presenciado pela multidão de 70.000 pessoas que estavam no local: o sol girou no céu, ao meio-dia, parecendo precipitar-se sobre a terra, retomando depois sua posição habitual no firmamento.
Milagres dessa magnitude, só no Antigo Testamento encontramos. Mas nem assim o mundo deu ouvidos à Mãe de Deus. E nunca se abateram sobre a Terra tantas desgraças, nunca houve tantas guerras, nunca a desagregação moral chegou tão baixo.

Entretanto, o meio de obter a paz para o mundo, para as famílias, para os corações, continua ao alcance de nossas mãos, nas contas benditas do Rosário, que Maria Santíssima trazia suspenso de seu braço quando apareceu em Fátima.
Trecho extraído da Revista Arautos do Evangelho out.2004

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Santa Terezinha: o fogo do apostolado

Aos catorze anos, o fogo do apostolado começou a devorar Teresa de Lisieux.
Jesus fez de mim um pescador de almas. Senti um grande desejo de trabalhar pela conversão dos pecadores, desejo que não tinha sentido tão vivamente. (...)

Um domingo, contemplando uma estampa de Nosso Senhor na Cruz, fiquei impressionada com o sangue que caía de uma das suas mãos divinas. Senti uma enorme pena, ao pensar que esse sangue caía na terra, sem que ninguém se apressasse a recolhê-lo, e resolvi manter-me em espírito ao pé da cruz para receber o Divino orvalho que dela escorria, compreendendo que seria necessário espalhá-lo sobre as almas... O grito de Jesus na Cruz: «Tenho sede» ressoava também continuamente no meu coração. Estas palavras acendiam em mim um ardor desconhecido e muito vivo... Queria dar de beber ao meu Bem-Amado e sentia-me eu mesma devorada pela sede de almas... (A 45 v).
Santa Teresa de Lisieux - Pensamentos - Edições Carmelo

domingo, 28 de setembro de 2014

O que é o amor, senão exagero?

Na ordem da salvação, é preciso ter também uma paixão que nos domine a vida e a faça produzir, para a glória de Deus, todos os frutos que o Senhor espera. Amai tal virtude, tal verdade, tal mistério apaixonadamente. Devotai-lhe a vossa vida, consagrai-lhe os vossos pensamentos e trabalhos; sem isso, nada alcançareis jamais. Sereis apenas um assalariado, nunca um herói. Dizem: “É exagero tudo isso”. Mas, que é o amor, senão exagero? Exagerar é ultrapassar a lei. Pois bem, o amor deve exagerar!

São Pedro Julião Eymard, O Santíssimo Sacramento

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Salvo por uma Missa

Nas pequenas cidades todos se conhecem. Os laços de amizade se tornam mais estreitos e os bons amigos tratam-se como verdadeiros irmãos. Foi o que se passou com Marcos e Pedro. Os dois cresceram na acolhedora Lagoa Dourada: juntos fizeram a Primeira Comunhão na Matriz do Senhor Bom Jesus, estudaram na Escola Municipal e participaram ativamente das atividades paroquiais, sendo coroinhas em todas as Missas solenes.
Marcos pertencia a uma família muito católica e recebera ali uma grande devoção à Santa Missa. Desde muito pequenino, dona Matilde, sua avó, o levava bem cedo à igreja para participar da Sagrada Eucaristia e lhe explicava cada passo do Santo Sacrifício, deixando-o encantado com o amor de Jesus por cada um de nós.
Pedro, entretanto, não recebera no lar tão piedosas influências. Seus pais eram católicos, porém, pouco devotos; preocupava-lhes apenas ter boa saúde e êxito nos negócios. Fora dona Matilde, a avó do amigo, quem lhe dera formação religiosa. Era ela quem ensinava às duas inseparáveis crianças o catecismo. Foi ela quem os preparou para a Primeira Comunhão e os animou a serem coroinhas na Matriz. Passou o tempo e os dois amigos tornaram-se homens feitos. Constituíram família e tiveram filhos, continuando a viver na mesma Lagoa Dourada.
Marcos era um pai dedicado e procurava transmitir aos filhos toda a boa formação recebida de dona Matilde. Mas, sobretudo esforçava-se em dar-lhes o exemplo de um bom cristão: rezava o Rosário em família, ensinava o catecismo aos pequenos e ia à Missa todos os dias, pois esta sempre fora sua maior devoção.
Pedro, ao contrário, esqueceu-se dos ensinamentos recebidos e começou a preocupar-se, como seus progenitores, apenas com o bem-estar material da família. Em matéria de religião seu comportamento não era dos melhores: nunca rezava com os filhos e somente ia à Missa aos domingos... se não tivesse sido organizado para esse dia algum passeio pelas fazendas dos amigos.
Todas as manhãs, Marcos deixava as crianças na escola e ia à Missa. Depois do Sagrado Banquete, dirigia-se à sua padaria para comer um pão quentinho com deliciosa manteiga derretida, feita com o leite puro e gordo de sua fazenda. De vez em quando Pedro ia visitá-lo, mas a amizade entre os dois foi ficando cada vez menos firme. As conversas passaram a ser quase exclusivamente de negócios e, embora procurasse manter as aparências, notava-se serem seus interesses cada vez mais distantes dos de Marcos.
Do esfriamento, havia apenas um passo para a inveja. Marcos não vivia para os negócios, como Pedro; entretanto, a padaria dele era invejável, sua fazenda muito produtiva e a fábrica de laticínios um modelo de usina bem levada. Qual seria a razão do sucesso de Marcos, pensava Pedro, enquanto ele, que não poupava esforços para tornar prósperos seus negócios, sofria com a colheita fraca, o desgaste da terra e as doenças do gado? E isso sem falar das dívidas crescentes, a ponto de ameaçar-lhe o patrimônio...
Um dia, os dois amigos foram convidados para um encontro de fazendeiros, a realizar-se na capital da região. Marcos propôs fazerem a viagem juntos e Pedro aceitou por puro interesse, pois assim os gastos seriam menores. A saída ficou marcada para quarta-feira, depois da Missa matutina.
Entretanto, naquele dia, o pároco não pôde celebrar na hora habitual por ter sido chamado para atender um enfermo em uma aldeia próxima. Mandou avisar, entretanto, que haveria Missa ao meio-dia. Marcos decidiu retardar a viagem, mas Pedro tentou dissuadi-lo, dizendo:
— Que bobagem! Qual é o mal se perder a Missa apenas um dia?
— A Missa tem um valor infinito — replicou-lhe Marcos — Prefiro esperar.
— Bem, então você vai sozinho depois. Eu já estou partindo...
E antes de se afastar do amigo acrescentou:
— Como é possível você atrasar uma viagem dessas só por causa de uma Missa? Você tem a vida inteira para assistir a muitas outras...
Na realidade, Pedro sentia-se satisfeito com a situação criada. Pensava que, chegando à cidade antes de Marcos, ficaria com os melhores negócios e obteria resultados superiores. Porém, no meio da estrada cheia de curvas que unia Lagoa Dourada com a cidade vizinha, houve um deslizamento de terra, justamente quando Pedro passava com sua caminhonete. A avalanche o fez perder o controle do veículo, capotando ribanceira abaixo.
Pedro foi levado para o hospital e passou vários dias em coma. Quando recuperou a consciência e conseguiu lembrar-se do acontecido, logo fez um balanço de sua vida: percebera o quanto estava afastado de Deus e dos Sacramentos, e perguntou-se se aquele desastre de automóvel não era um sinal de alerta vindo da eternidade.
Que loucura tinha sido haver menosprezado assim uma Missa! Quão perto tinha estado de não poder participar de mais nenhuma!
Mandou chamar seu amigo Marcos, e quando este entrou em seu quarto de convalescente, no hospital, disse-lhe:
— Você foi salvo por uma Missa! Eu fui muito ganancioso, e desprezei o valor supremo e infinito de uma única Celebração Eucarística...
Marcos logo procurou animá-lo e Pedro contou-lhe como estava arrependido pela vida que levava. Confidenciou-lhe haver o acidente feito recordar-se de tudo o que havia aprendido com dona Matilde e, sobretudo, dessa frase repetida por ela com tanta seriedade: “Se soubesse haver uma Missa no rincão mais afastado da Terra, e não tivesse oportunidade de participar em outra, faria qualquer coisa para ir até lá!”.
Quando Pedro se recuperou e voltou para casa, mudou radicalmente de vida. Voltou a ser um amigo leal e passou a frequentar outra vez os Sacramentos, com toda a família. Seus negócios também melhoraram e sua alma, livre de invejas e egoísmos, encontrou novamente a paz.
Aquela única Missa salvou Marcos de um acidente, mas também deu nova vida para a alma de Pedro!
Ir.Fernanda Cordeiro da Fonseca, EP Revista Arautos n.110 fev 2011