quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Santa Terezinha: o fogo do apostolado

Aos catorze anos, o fogo do apostolado começou a devorar Teresa de Lisieux.
Jesus fez de mim um pescador de almas. Senti um grande desejo de trabalhar pela conversão dos pecadores, desejo que não tinha sentido tão vivamente. (...)

Um domingo, contemplando uma estampa de Nosso Senhor na Cruz, fiquei impressionada com o sangue que caía de uma das suas mãos divinas. Senti uma enorme pena, ao pensar que esse sangue caía na terra, sem que ninguém se apressasse a recolhê-lo, e resolvi manter-me em espírito ao pé da cruz para receber o Divino orvalho que dela escorria, compreendendo que seria necessário espalhá-lo sobre as almas... O grito de Jesus na Cruz: «Tenho sede» ressoava também continuamente no meu coração. Estas palavras acendiam em mim um ardor desconhecido e muito vivo... Queria dar de beber ao meu Bem-Amado e sentia-me eu mesma devorada pela sede de almas... (A 45 v).
Santa Teresa de Lisieux - Pensamentos - Edições Carmelo

domingo, 28 de setembro de 2014

O que é o amor, senão exagero?

Na ordem da salvação, é preciso ter também uma paixão que nos domine a vida e a faça produzir, para a glória de Deus, todos os frutos que o Senhor espera. Amai tal virtude, tal verdade, tal mistério apaixonadamente. Devotai-lhe a vossa vida, consagrai-lhe os vossos pensamentos e trabalhos; sem isso, nada alcançareis jamais. Sereis apenas um assalariado, nunca um herói. Dizem: “É exagero tudo isso”. Mas, que é o amor, senão exagero? Exagerar é ultrapassar a lei. Pois bem, o amor deve exagerar!

São Pedro Julião Eymard, O Santíssimo Sacramento

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Salvo por uma Missa

Nas pequenas cidades todos se conhecem. Os laços de amizade se tornam mais estreitos e os bons amigos tratam-se como verdadeiros irmãos. Foi o que se passou com Marcos e Pedro. Os dois cresceram na acolhedora Lagoa Dourada: juntos fizeram a Primeira Comunhão na Matriz do Senhor Bom Jesus, estudaram na Escola Municipal e participaram ativamente das atividades paroquiais, sendo coroinhas em todas as Missas solenes.
Marcos pertencia a uma família muito católica e recebera ali uma grande devoção à Santa Missa. Desde muito pequenino, dona Matilde, sua avó, o levava bem cedo à igreja para participar da Sagrada Eucaristia e lhe explicava cada passo do Santo Sacrifício, deixando-o encantado com o amor de Jesus por cada um de nós.
Pedro, entretanto, não recebera no lar tão piedosas influências. Seus pais eram católicos, porém, pouco devotos; preocupava-lhes apenas ter boa saúde e êxito nos negócios. Fora dona Matilde, a avó do amigo, quem lhe dera formação religiosa. Era ela quem ensinava às duas inseparáveis crianças o catecismo. Foi ela quem os preparou para a Primeira Comunhão e os animou a serem coroinhas na Matriz. Passou o tempo e os dois amigos tornaram-se homens feitos. Constituíram família e tiveram filhos, continuando a viver na mesma Lagoa Dourada.
Marcos era um pai dedicado e procurava transmitir aos filhos toda a boa formação recebida de dona Matilde. Mas, sobretudo esforçava-se em dar-lhes o exemplo de um bom cristão: rezava o Rosário em família, ensinava o catecismo aos pequenos e ia à Missa todos os dias, pois esta sempre fora sua maior devoção.
Pedro, ao contrário, esqueceu-se dos ensinamentos recebidos e começou a preocupar-se, como seus progenitores, apenas com o bem-estar material da família. Em matéria de religião seu comportamento não era dos melhores: nunca rezava com os filhos e somente ia à Missa aos domingos... se não tivesse sido organizado para esse dia algum passeio pelas fazendas dos amigos.
Todas as manhãs, Marcos deixava as crianças na escola e ia à Missa. Depois do Sagrado Banquete, dirigia-se à sua padaria para comer um pão quentinho com deliciosa manteiga derretida, feita com o leite puro e gordo de sua fazenda. De vez em quando Pedro ia visitá-lo, mas a amizade entre os dois foi ficando cada vez menos firme. As conversas passaram a ser quase exclusivamente de negócios e, embora procurasse manter as aparências, notava-se serem seus interesses cada vez mais distantes dos de Marcos.
Do esfriamento, havia apenas um passo para a inveja. Marcos não vivia para os negócios, como Pedro; entretanto, a padaria dele era invejável, sua fazenda muito produtiva e a fábrica de laticínios um modelo de usina bem levada. Qual seria a razão do sucesso de Marcos, pensava Pedro, enquanto ele, que não poupava esforços para tornar prósperos seus negócios, sofria com a colheita fraca, o desgaste da terra e as doenças do gado? E isso sem falar das dívidas crescentes, a ponto de ameaçar-lhe o patrimônio...
Um dia, os dois amigos foram convidados para um encontro de fazendeiros, a realizar-se na capital da região. Marcos propôs fazerem a viagem juntos e Pedro aceitou por puro interesse, pois assim os gastos seriam menores. A saída ficou marcada para quarta-feira, depois da Missa matutina.
Entretanto, naquele dia, o pároco não pôde celebrar na hora habitual por ter sido chamado para atender um enfermo em uma aldeia próxima. Mandou avisar, entretanto, que haveria Missa ao meio-dia. Marcos decidiu retardar a viagem, mas Pedro tentou dissuadi-lo, dizendo:
— Que bobagem! Qual é o mal se perder a Missa apenas um dia?
— A Missa tem um valor infinito — replicou-lhe Marcos — Prefiro esperar.
— Bem, então você vai sozinho depois. Eu já estou partindo...
E antes de se afastar do amigo acrescentou:
— Como é possível você atrasar uma viagem dessas só por causa de uma Missa? Você tem a vida inteira para assistir a muitas outras...
Na realidade, Pedro sentia-se satisfeito com a situação criada. Pensava que, chegando à cidade antes de Marcos, ficaria com os melhores negócios e obteria resultados superiores. Porém, no meio da estrada cheia de curvas que unia Lagoa Dourada com a cidade vizinha, houve um deslizamento de terra, justamente quando Pedro passava com sua caminhonete. A avalanche o fez perder o controle do veículo, capotando ribanceira abaixo.
Pedro foi levado para o hospital e passou vários dias em coma. Quando recuperou a consciência e conseguiu lembrar-se do acontecido, logo fez um balanço de sua vida: percebera o quanto estava afastado de Deus e dos Sacramentos, e perguntou-se se aquele desastre de automóvel não era um sinal de alerta vindo da eternidade.
Que loucura tinha sido haver menosprezado assim uma Missa! Quão perto tinha estado de não poder participar de mais nenhuma!
Mandou chamar seu amigo Marcos, e quando este entrou em seu quarto de convalescente, no hospital, disse-lhe:
— Você foi salvo por uma Missa! Eu fui muito ganancioso, e desprezei o valor supremo e infinito de uma única Celebração Eucarística...
Marcos logo procurou animá-lo e Pedro contou-lhe como estava arrependido pela vida que levava. Confidenciou-lhe haver o acidente feito recordar-se de tudo o que havia aprendido com dona Matilde e, sobretudo, dessa frase repetida por ela com tanta seriedade: “Se soubesse haver uma Missa no rincão mais afastado da Terra, e não tivesse oportunidade de participar em outra, faria qualquer coisa para ir até lá!”.
Quando Pedro se recuperou e voltou para casa, mudou radicalmente de vida. Voltou a ser um amigo leal e passou a frequentar outra vez os Sacramentos, com toda a família. Seus negócios também melhoraram e sua alma, livre de invejas e egoísmos, encontrou novamente a paz.
Aquela única Missa salvou Marcos de um acidente, mas também deu nova vida para a alma de Pedro!
Ir.Fernanda Cordeiro da Fonseca, EP Revista Arautos n.110 fev 2011


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Perfeita Caridade

Quem possui a verdadeira e perfeita caridade não busca a si em coisa alguma, mas seu único desejo é que em tudo se realize a glória de Deus. A ninguém inveja, porque não aprecia nenhum prazer particular, nem em si mesmo quer alegrar-se, mas, em Deus, acima de todos os bens, coloca a sua felicidade. A nenhuma criatura atribui bem algum, mas tudo refere a Deus, fonte perene, donde promanam todos os bens, fim beatífico, em que descansam todos os santos.
Oh! quem tiver uma centelha de verdadeira caridade, como lhe parecerão vãs todas as coisas da terra!

Tomás de Kempis. Imitação de Cristo. Cap XV. Tradução de P. Leonel Franca, S.J., 1944

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

O milagre do poço

A Paróquia de Nossa Senhora das Vitórias era simples, mas cheia de vida. O padre Maurício sempre promovia diferentes atividades e incentivava a comemoração das festas dos santos do calendário litúrgico, contando com o apoio maciço dos fiéis, que além de participar com piedade dos atos religiosos, engalanavam o templo com flores silvestres e fitas coloridas. Na catequese, as crianças se preparavam para a Primeira Comunhão ou para a Confirmação, em grupos animados e dinâmicos. A frequência aos Sacramentos era intensa e a aldeia era uma das mais tranquilas da região, pois seus habitantes tinham como lema o mandamento deixado por Nosso Senhor Jesus Cristo: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15, 12).
Não obstante, um forte desejo alimentava o coração do bom pároco e dos habitantes do lugar: construir uma grande e bela igreja em honra da Padroeira, já que o edifício existente era muito pequeno e estava se deteriorando pelo tempo. Não havia, porém, meios econômicos para levantá-la...
Ali era uma região um tanto agreste e, no verão, a seca castigava o povo. Era preciso subir até o alto de um monte próximo para conseguir um pouco de água no único poço que abastecia as famílias nessa época. Era um poço antigo, mas nunca havia secado. No verão daquele ano, entretanto, até ele parecia estar escasseando seu abastecimento. Houve vezes em que não subiu uma gota d’água sequer no velho balde de carvalho... Era grave o perigo que corriam, pois, se o poço secasse iam ficar à míngua.
Num sábado pela manhã, as crianças chegaram agitadas na catequese, comentando a falta d’água em suas casas e os problemas que isso estava acarretando. Paulinho, que sempre fora líder entre todos, tomou a palavra e disse:
― Eu tenho uma proposta a fazer para resolvermos o problema da água de nossa aldeia.
Os olhinhos curiosos das crianças se dirigiram para o menino. Até mesmo o padre Maurício queria saber a sugestão:
― Pois então diga, Paulinho, qual é sua ideia?
― Por que não fazemos uma promessa à Virgem das Vitórias, nossa Padroeira? Pedimos a Ela para não deixar secar o poço e prometemos iniciar a construção da Igreja em sua honra, no alto do monte.
As crianças aplaudiram a ideia do companheiro e o sacerdote sorriu comprazido pela fé daquela alma inocente. Contudo, pensava ele, como conseguiriam os meios para isso?
E o menino continuou:
― Fazemos a promessa e, seguros do socorro de Nossa Senhora, começamos uma ampla campanha na aldeia e por toda a região, em benefício da construção. Estou certo de que Ela nos atenderá e em breve teremos nossa bela igreja paroquial. Que acham?
Adriana, de apenas sete anos, aplaudia saltitante, dizendo:
― Isso mesmo! Nunca se ouviu dizer que alguém tenha pedido algo a Nossa Senhora e não tenha sido atendido... Ela nos dará a vitória!
O piedoso pároco se emocionou, pensando: “De fato, Deus escondeu grandes coisas aos sábios e as revelou aos pequeninos”... Levantando-se, disse animado:
― Pois, então, mãos à obra! Vamos convocar todos os paroquianos para nossa ousada empresa.
Aquela gente humilde e cheia de fé iniciou a campanha para cumprir a promessa. Percorriam as ruas, os campos e as fazendas vizinhas pedindo meios, em dinheiro ou em material de construção. Logo apareceu um engenheiro da capital que se interessou pelo projeto e fez os planos do templo. Conseguiu ele doações nos seus meios e os caminhões começaram a chegar. Tratores subiam o monte do poço, preparavam-se os fundamentos e, com o decorrer dos meses, as paredes iam sendo levantadas.
Passou aquele verão, veio o outono, o inverno, e nunca secou a água do velho poço! Chegou a primavera e com ela as abençoadas chuvas abasteceram os reservatórios das casas e dos campos. A construção da igreja ia de vento em popa e estava previsto seu término para o próximo verão. Padre Maurício preparou o programa de inauguração da nova igreja, incluindo uma grande procissão de traslado da imagem de Nossa Senhora das Vitórias até o novo altar-mor, todo feito em mármore de cores lindíssimas.
O verão deste ano, todavia, castigava ainda mais que o anterior. E a água do poço secou completamente! Não havia meio de retirar dele uma gotinha sequer... Iria Nossa Senhora abandonar quem se havia posto sob sua proteção? O padre estava preocupado, porque dali a dois dias seria a procissão e o povo iria chegar sedento à igreja, depois de percorrer um logo caminho sob o Sol causticante para subir o morro. Confiante no auxílio da Mãe de Deus, não cancelou a cerimônia e fez tudo como se nada estivesse acontecendo.
Chegado o esperado dia, a procissão se fez solene e animada. Um imponente andor ornado com as flores silvestres da região transportava a imagem. Os fiéis cantavam e caminhavam com entusiasmo. Só de avistarem a altaneira torre da nova igreja seus corações se enchiam de alegria. Quando chegaram ao templo, cansados e afogueados, nem se importaram com o calor que sentiam e entraram com a Virgem, triunfalmente.
Terminada a cerimônia, porém, a sede apertou... Paulinho, então, tomou a iniciativa de dizer:
― Não se preocupem! Conseguimos cumprir nossa promessa! Façamos uma fila perto do poço. Ninguém sairá dali com sede!
Todos se entreolharam, pois sabiam que o poço não tinha mais nem uma só gota d’água! No entanto, o menino falara com tanta convicção que a fila se formou e... Oh, milagre! A água abundava cada vez que desciam o balde! Verdadeiramente Nossa Senhora lhes havia dado a vitória! E nunca mais tiveram problema com a seca.

Fernanda Cordeiro da Fonseca -Revista ArautosdoEvangelho Out. 2012

domingo, 7 de setembro de 2014

O Puro Encanto dos Anjos

Os Anjos, que desde o princípio de sua criação conheciam o futuro mistério da Virgem, que A esperavam e de longe A saudavam como sua Rainha (...), que entusiasmo não sentiram ao verem brilhar esta Estrela da Manhã, e ao pensar que seriam os mensageiros de suas graças e missionários de sua clemência? Ah! Se os Anjos entoaram seus louvores sobre o pobre estábulo de Belém, não haveriam de se rejubilar quando viram surgir a aurora da libertação, através da nuvem celeste que logo faria chover o Justo?

Pe. Thiébaud

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Dia dos Pais - Arautos 2014

O Dia dos Pais foi mais uma vez festejado pelos Arautos num ambiente de grande alegria, reunindo pais e filhos num animado convívio, que teve lugar na casa do setor feminino da instituição em Joinville. A comemoração foi iniciada com a Santa Missa, celebrada pelo Pe Mário Sérgio Sperche, EP, seguida por um saboroso churrasco, preparado pelos pais, durante o qual as jovens fizeram um sorteio, apresentaram uma pequena peça teatral, e cantaram algumas músicas para homenagearem os pais.