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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Testamento espiritual de Santa Bernadete

Apresentamos abaixo um texto extraído da revista Dr Plinio para ser meditado na festa de Nossa Senhora de Lourdes, comemorada no dia 11 de fevereiro.
Não se pode falar de Lourdes sem lembrar a personagem ligada de modo indissociável a essa história de bênçãos e misericórdias. A modesta pastorinha a quem Nossa Senhora apareceu é o primeiro milagre de Lourdes: milagre da graça, milagre da santidade.
Por isso a Igreja a elevou às honras dos altares como Santa Bernadete Soubirous.
Antes de partir deste mundo para as glórias da bem-aventurança eterna, a vidente deixou seu testamento espiritual, uma comovedora prece de ação de graças em que ela, ao invés de se mostrar reconhecida pelos insignes favores de que foi objeto, louva Nossa Senhora e seu Divino Filho por tudo o que lhe representou sofrimento e carência nesta vida:
 “Pelas zombarias recebidas, pelas injúrias e pelos ultrajes da parte dos que me mandaram prender como doida, pela cólera que tiveram contra mim, tomando-me como interesseira. Pela ortografia que eu jamais consegui aprender, pela memória que eu jamais tive, pela minha ignorância, graças vos dou, Senhora. Graças, porque se houvesse sobre a terra uma menina mais ignorante e mais estúpida do que eu, Vós a teríeis escolhido para lhe aparecer.
“Graças, ó Jesus, por ter dessedentado com amarguras esse coração por demais frágil que me destes! Por Madre Josefina, que disse de mim: não serve para nada... Pelos sarcasmos da madre mestra de noviças, pela sua voz dura, pelas injustiças, pelas ironias, pelo pão da humilhação, muito obrigada. Graças por ter sido a Bernadete ameaçada de prisão porque tinha visto a Virgem Maria, olhada pelas pessoas como um raro animal, aquela Bernadete tão mesquinha que, ao vê-la, diziam: É essa?
“Pela minha doença, pelas minhas carnes em putrefação, pelos meus ossos com cáries, pelos meus suores, pela minha febre, pelas minhas dores surdas e agudas, graças ó meu Deus! E por essa ânsia que Vós me destes para o deserto da aridez interior, pelos vossos silêncios, mais uma vez por tudo, por Vós ausente e presente, graças, ó Jesus!”
Ela compreendeu bem que não teve apenas aparições, mas recebeu também uma cruz, mais preciosa do que as próprias visões de Nossa Senhora. E ter aceito de modo perfeito a cruz, levando-a até o fim com amor, com entusiasmo pelo sofrimento, por tudo quanto a dor significa no plano sobrenatural — isto fez dela uma santa.
É o modelo que a Providência nos propõe para que tenhamos uma vida espiritual norteada, mais do que pelo desejo do Céu, pela graça de amar e adorar desinteressadamente o Senhor do Céu e da Terra.

Plinio Corrêa de Oliveira - Texto extraído da revista Dr Plinio fev 2003

segunda-feira, 27 de julho de 2015

A oferta mais agradável a Jesus e Maria

O frio ainda estava penetrante e a neve não cessava de cair naquele fim de inverno europeu, mais rigoroso que de costume. No entanto, a severidade do clima não impedia a pequena Inês de sair de sua casa, situada na encosta de uma íngreme montanha, para ir assistir à Missa na aldeia vizinha. Era o dia 3 de fevereiro, quando todas as crianças da região recebiam lindos papéis dourados, onde anotavam os pequenos sacrifícios que ofereciam a Nossa Senhora de Lourdes, durante sua novena.
Nesses dias, todos se empenhavam em participar da Santa Eucaristia, e quanto mais se aproximava o dia da festa, a alegria da meninada tornava-se mais intensa. Ao mesmo tempo, suas listas iam engrossando com as mortificações que faziam, e que para elas constituíam verdadeiros holocaustos, como privar-se de chocolate ou de doce, fazer os deveres da escola sem resmungar ou levantar-se cedinho de um salto só, apesar de tiritarem de frio e os cobertores quentinhos convidarem a um pouquinho mais de sono...