Quando o dia
declinava em Jerusalém, Susana voltava do campo, seguida fielmente pelo rebanho
de seu pai, Simeão. Ao alcançar o aprisco, as primeiras estrelas já apareciam
cintilando no firmamento. Deixando as ovelhas seguras, sentou-se um pouco ao
relento, a fim de contemplar os astros. Chegara o melhor momento do dia!
Gostava de imaginar
que as estrelas fossem pequenos diamantes, como os que vira certa vez coruscar
nas suntuosas vestes do sumo sacerdote. E pensava maravilhada: "Como Deus
é perfeito! Até o céu Ele quis enfeitar. Quando o azul celeste se obscurece, a
ponto de se tornar quase negro, Ele o enche de diamantes...".
Quanto desejava
contemplar de perto ao menos uma estrela! E seguia excogitando como Deus, o
Todo-Poderoso, devia ser luminoso... Certamente muito mais que as estrelas! Mas
estas serviam para, pelo menos, dar uma ideia de sua grandeza.
Naquela noite,
porém, ela notou que os astros brilhavam com uma força como jamais vira. Seu
fulgor os tornava tão próximos, que tinha a impressão de poder tocá-los com as
mãos.
- Será que subindo
em um lugar alto consigo apanhar uma estrela? Como gostaria de ter uma... -
dizia de si para consigo.

