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quarta-feira, 29 de março de 2017

Uma ponte para o Céu

Aproximava-se a solene festa de Primeira Comunhão no colégio das Irmãs da Caridade. Apressavam-se as religiosas na confecção dos trajes das crianças e nos ­bordados das toalhas e alfaias litúrgicas que seriam utilizados em tão importante celebração. Muito ocupada e diligente, a bondosa irmã Estella preparava as crianças para o Banquete Celestial. Ela podia se considerar uma mestra feliz: seus alunos mostravam-se zelosos e entusiasmados pelas verdades da Fé, e a devoção refulgia em seus inocentes corações.
Um, porém, a contristava: Lucas, o mais travesso do grupo e muito preguiçoso no cumprimento dos deveres. Apesar de ser piedoso e ter bom coração, ele passava o tempo todo reclamando dos sofrimentos, incômodos ou aborrecimentos do dia a dia. De manhã, quando sua mãe ia acordá-lo, enrolava-se nos cobertores e continuava dormindo. Intimado a levantar-se, fingia com grande talento indisposições e moléstias que lhe angariassem alguns minutos extras na cama...
Na escola, nunca apresentava os trabalhos com pontualidade e fugia das provas sempre que podia. Para evitar uma delas, chegou a simular uma misteriosa paralisia muscular que lhe impedia de segurar o lápis nas mãos... O professor decidiu, então, tomar-lhe a lição oralmente. No entanto, foi uma tentativa frustrada, pois ele aparentou sentir uma terrível dor nos joelhos por ficar de pé durante a arguição, e queixou-se de agudas pontadas na coluna quando recebeu ordem para sentar-se!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Qual a origem e o significado do incenso?

A palavra incenso vem do latim incendere, acender, e designa a resina aromática obtida de uma árvore oriunda do oriente próximo: a Boswellia sacra. Seu uso no culto divino remonta aos tempos de Moisés, que recebeu do próprio Deus a receita para a sua elaboração (cf. Ex 30, 34-36). No Templo de Jerusalém os lampadários acesos e a coluna constante de incenso significavam a presença de Deus. A coluna recordava aquela que guiou o povo na saída do Egito, constituída de nuvens durante o dia e de fogo à noite.
As três propriedades do incenso têm simbolismos distintos. Ao queimar ele simboliza o zelo que deve consumir os fiéis durante o culto. O seu perfume representa o aroma da virtude e da graça da qual Cristo está pleno. E a fumaça é associada à oração, como se lê nas Escrituras: “Que minha oração suba à tua presença como incenso” (Sl 140, 2).

As formas e tamanhos do incensário, ou turíbulo (do grego tus – incenso) variam muito, mas, sem dúvida, o maior do mundo se encontra em Santiago de Compostela e é utilizado na Missa do peregrino. Chamado de Botafumeiro, pesa 53 quilos e mede 1,5 metro. Uma roldana o segura no alto da abóbada da catedral permitindo que, com ajuda de uma longa corda, seus movimentos alcancem quase toda a largura do transepto. Oito homens, os tiraboleiros, são necessários para pô-lo em funcionamento.
Revista Arautos do Evangelho - set 2016

domingo, 16 de outubro de 2016

Conselho de São Bernardo



 “Se o cristão não tivesse ninguém que o contrariasse, deveria cuidadosamente procurar quem o fizesse e pagá-lo a peso de ouro, para ter um meio de praticar o sofrimento e a doçura.
“Se, pois, encontrais essa pessoa sem terdes gastado nem ouro nem prata, aproveitai-vos dela para o exercício duma tão bela virtude.”
Citado no livro “Uma fonte no deserto”, do Pe. Celestino André Trevisan.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Oração a Nossa Senhora Rainha

Minha Mãe, Rainha do Céu e da Terra, dai-me a graça de nunca me sentir longe de Vós. Sim, dai-me a certeza de que a palavra longe — para efeitos de vida espiritual — foi cancelada da doutrina católica uma vez que Vós existis.

Porque se é verdade que muitas coisas estão longe, Vós, Senhora, estais sempre próxima. E quem a Vós reze afincadamente, tudo obtém. Então, Senhora, convencei-me que Vós estais ao alcance, não de mãos que se estendem, mas de mãos que se põem juntas para rezar, rezar, rezar seriamente. "Nunca se ouviu dizer que alguém que recorresse à Vossa proteção ou reclamasse Vosso socorro, fosse por Vós desamparado". Minha Mãe, fazei-me compreender que, se "nunca se ouviu dizer", não serei eu o primeiro a não ser atendido, o primeiro a ser a exceção. Assim, pois, régia Senhora, fazei que sempre me volte para Vós com confiança. Assim seja.
Plinio Corrêa de Oliveira

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Participe você também

Os Arautos do Evangelho contam com sua presença na VIII Romaria ao Santuário de Aparecida promovida pelo Apostolado do Oratório nos próximos dias 12 e 13 de agosto.
Nossa Senhora de Aparecida, com tanto carinho e solicitude, se dispõe a auxiliar seus filhos neste vale de lágrimas. Peçamos também, nós, à Rainha do Brasil que abençoe as nossas famílias, os nossos parentes, os nossos Párocos e os nossos Pastores; e que Ela continue tocando os corações das pessoas, conduzindo-as a Deus.
PROGRAMAÇÃO
12 de agosto, 6ª feira
18h – Missa na Basílica Velha, presidida pelo Reitor do Santuário.
19h – Procissão Luminosa, da Basílica Velha até a Basílica Nova.
Sexta-feira, a partir das 13h às 16h: Mostruário, projeção do vídeo, entrega de lembranças e atendimento às delegações no Auditório Padre Noé Sotillo (em frente da Casa do Pão, subsolo do Santuário).
13 de Agosto, sábado
08h – Terço na Tribuna Papa Bento XVI, com a presença da cópia da Imagem de Nossa Senhora Aparecida e animação do Coro Internacional dos Arautos do Evangelho.
10:30 – Missa presidida pelo Cardeal Arcebispo de Aparecida Dom Raymundo Damasceno.
Sábado, a partir das 06:00 até 16:00: Mostruário, projeção do vídeo, entrega de lembranças e atendimento as delegações no Auditório Padre Noé Sotillo (em frente da Casa do Pão).

Para mais informações entre em contato através do telefone (11) 2973-9477 ou pelo whatsapp: (11) 98872-1366

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Quem é Plinio Corrêa de Oliveira?

Acabam de ser publicados os dois primeiros volumes, de um total de cinco, da obra “O dom de sabedoria na mente, vida e obra de Plinio Corrêa de Oliveira”, de autoria de Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP. A
Mons. João dedica a seu amado pai, modelo e guia, uma valiosa coleção sobre sua profética figura. Este oportuno estudo representa um inigualável contributo para a compreensão da própria pessoa e da mentalidade de Mons. João, que é o fundador dos Arautos do Evangelho, e das características essenciais do carisma dessa Associação Internacional de Direito Pontifício.
Encomende já sua coleção pela internet:
www.arautos.org/domdesabedoria
                   ou

 pelo telefone (11) 2971-9040

sexta-feira, 28 de março de 2014

O “Nobre Ofício”

Segundo certa mentalidade em vigor hoje, felicidade se identificaria com riqueza e prazer. Mas tempo houve em que o homem não pensava assim. E era feliz... 
O tema deste artigo é um “nobre ofício”. Qual será ele?
Seguramente — pensará algum leitor — o exercício de alguma elevada função na Corte Britânica. Ou, quem sabe, um cargo de grande responsabilidade no Vaticano, ou em alguma prestigiosa universidade, como a Sorbonne ou Coimbra?
Nada disto!
De que se trata, então?
Caro leitor, permita-me ajudá-lo. É algo que vem do passado, de um passado cristão. O “Nobre Ofício” era o título dado aos... sapateiros ingleses na Idade Média!
Efetivamente, os trabalhadores manuais da corporação dos sapateiros ufanavam-se, não somente da qualidade de seus produtos, mas também do próprio ofício que exerciam. A ponto de eles mesmos o designarem de o “Nobre Ofício”.
Não era fácil, porém, ser admitido na confraria. Para ser aceito como participante do “Nobre Ofício”, não bastava ser bom profissional. Era preciso também saber “cantar, tocar corneta de chifre, tocar flauta, manejar a lança, combater com espada, descrever em versos seus instrumentos de trabalho”.
A corporação de sapateiros ingleses, como inúmeras outras existentes na Europa medieval, era inteiramente independente do poder estatal, inclusive do Rei. Tinham essas corporações suas leis próprias, seus costumes, seus juízes — os “mestres juramentados” — que impunham sanções àqueles que se comportavam mal ou que, por suas trapaças, desprestigiavam a profissão.
Sobretudo, tinham seus capelães, seus santos padroeiros, suas igrejas, suas festas e procissões. Uma de suas principais preocupações era que todos os irmãos da confraria fossem bons cristãos.
Até hoje, por exemplo, pode-se ver na maravilhosa Catedral de Chartres (França) os vitrais de extraordinária beleza oferecidos pelos padeiros, pelos pescadores, pelos vinhateiros, ao lado dos que foram doados pela Rainha Branca de Castela, mãe do Rei São Luís.
O costume, impregnado de caridade cristã, fazia com que os confrades do “Nobre Ofício” se ajudassem mutuamente, em qualquer lugar onde se encontrassem. Podiam uns ser do norte, outros do sul, mas estavam todos unidos por um vínculo religioso que os levava a auxiliarem-se nas circunstâncias adversas.
Patrões, trabalhadores, aprendizes, cada qual conservando sua posição, se ajudavam, se protegiam e se estimulavam a progredir na vida cristã e... na qualidade dos sapatos que produziam.
Por exemplo, os “mestres juramentados” — em geral, os sapateiros mais idosos — repreendiam severamente o patrão que não cuidava da virtude de seus aprendizes, ou que prejudicava os fregueses pela má qualidade dos sapatos produzidos. Ao mesmo tempo, prestavam auxílio aos irmãos em situação de crise nos negócios, às viúvas e aos órfãos dos sapateiros falecidos.
Todos os ofícios da sociedade medieval estavam organizados da mesma forma. Constituíam verdadeiras irmandades dentro da sociedade civil, nas quais circulava a seiva do Evangelho.
Ufanavam-se de suas obras de caridade. Por exemplo, os ourives de Paris conseguiram licença para, um de cada vez, abrirem a loja nos domingos e dias festivos. O lucro obtido nesses dias destinava-se a oferecer uma refeição aos pobres no domingo de Páscoa. “Quem abre sua loja nesses dias, deposita na caixa da confraria tudo quanto ganhou (...) e, com esse dinheiro, se paga uma refeição para os pobres do Hospital de Paris, no dia de Páscoa de cada ano”.
Tudo isto era feito numa atmosfera de concórdia e alegria difícil de se entender em nossos dias.
Nas festas da cidade, as corporações desfraldavam suas bandeiras durante os desfiles solenes, disputando a preeminência. Constituíam elas pequenos mundos extraordinariamente dinâmicos, ativos e, sobretudo, cristãos, que davam à cidade seu impulso e sua fisionomia característica.
Eis um pitoresco fato ilustrativo de como se passavam as coisas quando o espírito da Santa Igreja Católica impregnava a sociedade civil.
O sapateiro Tom Drum encontrou-se em viagem com um jovem nobre arruinado e o convidou a ir com ele a Londres.
— Eu pago as despesas, e em Londres nos divertiremos muito.
— Pagas como?! Pensei que toda a tua fortuna não passasse de alguns centavos... — objetou o fidalgo.
Respondeu Tom Drum:
Explicar-te-ei. Se fosses sapateiro como eu, poderias viajar de um extremo a outro da Inglaterra com apenas um centavo no bolso. Em cada cidade encontrarias alojamento, comida e bebida, e nem sequer precisarias gastar teu único centavo. Os sapateiros não gostam de ver que falta algo a qualquer de seus colegas. Nosso regulamento estabelece o seguinte: se chega a uma cidade um companheiro sem pão nem dinheiro, basta-lhe apresentar-se. Não precisará preocupar-se, pois os sapateiros da cidade o receberão bem e lhe darão hospedagem e comida grátis. E se quiser trabalhar, a corporação tratará de arranjar-lhe emprego, ele não terá preocupações” 1.
1) As Cidades e as Instituições urbanas na Idade Média, apud Régine Pernoud, A Luz da Idade Média, pp. 71-72.

Pe. Juan Carlos Casté . Revista Arautos do Evangelho n. 23. Nov 2003